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Cirurgia de fixação lombar ou tratamento conservador para lombalgia crônica?

Uma pesquisa muito bem conduzida que será publicada em março de 2014 na revista International Journal of Rehabilitation Research comparou o tratamento cirúrgico de fixação lombar (artrodese lombar) com o tratamento conservador na lombalgia crônica (dor lombar crônica).
Nesta Meta-análise foram incluídos casos de 666 pacientes onde foram analisados os efeitos da cirurgia de fixação lombar e do tratamento conservador na redução da incapacidade em pacientes com lombalgia crônica decorrente de problemas degenerativos da coluna vertebral.
Os resultados obtidos mostraram redução dos índices de incapacidade em ambos os tratamentos (cirúrgico e conservador), sendo diferença entre os grupos estatisticamente e clinicamente insignificantes.
Portanto foi demonstrado uma forte evidência de que a cirurgia de fixação lombar não é mais eficaz do que o tratamento conservador na redução da incapacidade em pacientes com dor lombar crônica decorrente de problemas degenerativos da coluna vertebral.
Fonte:
International Journal of Rehabilitation Research:
Link para o resumo: http://journals.lww.com/intjrehabilres/Abstract/2014/03000/Lumbar_fusion_compared_with_conservative_treatment.2.aspx

 

Incompatibilidade entre RM da coluna vertebral e sintomas do ciático

A ressonância magnética (RM) da coluna vertebral não é um bom exame diagnóstico para pessoas com dor ciática que persista ou recorra após tratamento.

Os resultados do exame tiveram pouca relação com os sintomas em um estudo dos Países Baixos, e um editorial associado orienta que os médicos evitem as imagens nessa situação (pág. 1056). Exames da coluna vertebral já são usados em excesso e notórios por encontrar anormalidades de relevância dúbia que desencadeiam uma cascata de outros exames e tratamentos.

O último estudo comparou os resultados do exame aos sintomas em 283 participantes de ensaios clínicos um ano após cirurgia ou tratamento conservador para dor ciática e hérnia de disco lombar (ambos os tratamentos tiveram equivalente bom desempenho). Um terço dos participantes (14/43) com sintomas persistentes ou recorrentes apresentaram disco herniado no exame de seguimento, embora o mesmo tenha ocorrido com um terço daqueles sem sintomas (79/224). Além disso, 85% dos pacientes com hérnia de disco não apresentavam sintomas depois de um ano (79/93), assim como 83% daqueles sem hérnia de disco (145/174).

Testes tradicionais de precisão diagnóstica confirmaram que as ressonâncias da coluna vertebral não distinguem entre pacientes com e sem sintomas um ano depois do tratamento (área sob a curva ROC 0,48, IC 95%, 0,39 a 0,58). Os exames identificaram significativamente mais discos herniados e compressões de raízes nervosas um ano após o tratamento conservador do que um ano após a cirurgia, mas nenhuma das anormalidades foi associada a desfecho ruim.
N Engl J Med 2013;368:999-1007