O Biofeedback no tratamento da insônia

Em um mundo cada vez mais veloz, onde somos bombardeados por informações o tempo todo, a insônia vem se tornando um problema grave e bastante comum entre a população. Estima-se que 10-20% da população geral e 48% dos brasileiros apresentam dificuldade para dormir e cerca de 60% das pessoas não falam a respeito da dificuldade de dormir para o seu médico.

Os seres humanos dormem cerca de 30% da existência e apesar disso, conhecemos muito pouco o papel do sono nos seres vivos. Os distúrbios do sono podem acarretar diversos problemas em nosso organismo. Inicialmente pode comprometer o humor, memória, causar dores no corpo e de cabeça, afetar a concentração e atenção, influenciar no desempenho profissional e sexual e afetar o convívio familiar. Em estágios mais avançados pode ocorrer consequências mais graves como depressão, diabetes e doenças cardíacas.

As causas da insônia são diversas e, portanto o tratamento também deve ser multifocal. Uma das terapias que auxiliam no tratamento da insônia é o Biofeedback.

O Biofeedback é uma técnica em que a pessoa acessa, através de sensores e monitores, informações fisiológicas do seu organismo, como por exemplo, uma tensão muscular. O objetivo dessa técnica é aumentar a percepção sobre seus processos físicos, para que consiga exercer algum controle sobre tais, por exemplo, um relaxamento muscular e mental.

Associada a outras técnicas comportamentais, o Biofeedback, modifica os padrões patológicos que causam a insônia e regulam o ciclo sono-vigília, diminuindo o tempo de latência do sono e os despertares noturnos, proporcionando um sono restaurador e melhorando assim a qualidade de vida. Uma boa noite de sono é uma das experiências mais gratificantes, enquanto sintomas de insônia e sonolência diurna causam um considerável nível de estresse.

 

Referência: Bacelar, Andrea; Jr Pinto R. Luciano e colaboradores. Insônia: Do Diagnóstico ao Tratamento /III Consenso Brasileiro de Insônia. Associação Brasileira do Sono; São Paulo: Omnifarma; 1. Ed. 2013.

Biofeedback na Cefaléia Tensional

O objetivo da presente revisão foi avaliar a evidência documentada sobre a eficácia do biofeedback para cefaleia em duas condições: enxaqueca e cefaléia do tipo tensional, sendo publicados recentemente nesta meta análise, os dados de 150 estudos. Destes, 94 trabalhos foram selecionados para inclusão, de acordo com critérios pré-definidos. Os principais resultados foram de médio a grande efeito de melhoria para pacientes com enxaqueca e cefaleia tensional após o tratamento com biofeedback. Os efeitos do tratamento mantiveram-se estáveis durante um período de, em média, 14 meses. A frequência das dores de cabeça foi a variável que nos mostrou maiores melhorias. Outros efeitos significativos foram mostrados: autoeficácia perceptível, diminuição de sintomas de ansiedade e depressão, menor consumo de medicamentos, redução da tensão muscular em áreas relacionadas com a dor. Além disso, foi observada, por meio de eletromiografia, uma diminuição da ativação muscular em cefaleia do tipo tensional.

Dessa forma, os autores verificaram uma forte evidência na melhoria da enxaqueca e da cefaleia do tipo tensional, principalmente na frequência dos episódios de dor e na diminuição da tensão muscular. Concluíram, portanto, que o BIOFEEDBACK constitui um tratamento eficaz para Cefaleia do tipo Tensional.

 

 

Referência: NESTORIUC, Y. et al. Meta-Analysis of Biofeedback for Tension-Type Hedache: Efficacy, Specificity and Treatments Moderators. Appl Psychophysiol Biofeedback 33:125–140, 2008.

Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18540732

Qual deve ser o tempo mínimo que a criança com Paralisia Cerebral deve ficar em pé diariamente, para que se tenha ganhos funcionais?

Crianças que deambulam menos de duas horas por dia ou que não deambulam, geralmente apresentam dor e complicações secundárias decorrentes da postura sentada. Os programas terapêuticos de ortostatismo são realizadas há mais de 50 anos nas sessões de Fisioterapia e em domicílio. Entretanto, na ausência de protocolos que avaliassem os ganhos terapêuticos, o tempo de ortostatismo era baseado na experiência clínica dos terapeutas e disponibilidade dos cuidadores.

Em 2013, pesquisadores americanos realizaram uma Revisão Sistemática na Literatura Científica com objetivo de auxiliar os terapeutas em relação ao tempo de ortostatismo nas sessões de Fisioterapia e em casa para se obter ganhos funcionais. A Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), foi utilizada para definir as categorias avaliadas em: estrutura, função do corpo, atividade e participação.

Os resultados da pesquisa sugerem que os programas de ortostatismo, sejam realizados no mínimo 5 dias na semana. Fortes evidências apontam o tempo de ortostatismo para as seguintes áreas:

  • Densidade óssea (60min a 90min/dia)
  • Estabilidade do quadril (60min/dia – abdução de 30 a 60graus)
  • Amplitude de movimento de quadril, joelho e tornozelo (45min a 60min/dia)
  • Espasticidade (30min a 45min/dia)

 

Influências do ortostatismo nas funções mentais, no sistema digestivo, sistema cardiovascular e respiratório não tiveram fortes níveis de evidência neste estudo.

 

Referência: Peleg et al. Pediatric Physical Therapy: Fall 2013 – Volume 25 – Issue 3 – p 232-247

Link: http://journals.lww.com/pedpt/Fulltext/2013/25030/Systematic_Review_and_Evidence_Based_Clinical.2.aspx?utm_medium=facebook&utm_source=twitterfeed